Entre um turno e outro, a campanha vencedora trocou a peça produzida pelo vídeo caseiro, chamou criadores para gravar junto e soltou um tema por dia para os apoiadores repetirem.
No segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25), Lula venceu Flávio Bolsonaro por 4,4 milhões de votos, uma virada que cientistas políticos ouvidos pelo Nexo Jornal chamam de inédita. Para quem trabalha com conteúdo, o que interessa é o que mudou na comunicação entre um turno e outro.
Formato: segundo a Agência Pública, a própria campanha reconheceu depois do primeiro turno que tinha usado pouco os formatos que viralizam. A resposta foi o vídeo selfie: gravação caseira, com o candidato falando direto para a câmera, um formato que o perfil não usava. Foram aproximadamente 20 publicações nesse formato em poucos dias, cada uma sobre um tema concreto, como o fim da escala 6x1.
Distribuição: criadores de conteúdo e deputados jovens, ativos no Instagram, no YouTube, no TikTok e no WhatsApp, foram chamados para gravar junto. Segundo O Tempo, a campanha passou a soltar um tema por dia para que apoiadores e pessoas comuns repetissem com as próprias palavras nas suas redes. O canal de WhatsApp da campanha tinha mais de 3,4 milhões de seguidores, segundo a Pública.
Métrica: o efeito apareceu no engajamento. Segundo o Projeto Brief, citado pela Pública, o candidato chegou a 9,9 milhões de interações em 7 de outubro, o maior total em um só dia entre os dois candidatos desde 14 de setembro.
A lição para quem tem um canal: um vídeo simples, gravado no celular e falando direto com quem assiste, pode render mais do que uma peça cara; e um assunto por dia, fácil de repetir, espalha mais longe do que um conteúdo que só sai do perfil oficial.